Uma igreja que não é perseverante se desfaz, que não é consciente se corrompe, que não é corajosa se cala, que não é missionária se fecha, e que não é cheia do Espírito se apaga.
Um ESBOÇO ministerial assinado pelo saudoso Pastor Valmor Leonel Batista, meu pai, reconhecemos nele não apenas um roteiro de atuação pastoral, mas uma confissão viva da teologia pentecostal clássica, fundamentada na Palavra de Deus e na experiência do Espírito Santo.
O texto articula com clareza o propósito divino para a Igreja: ser perseverante, consciente e responsável, corajosa, missionária e cheia do Espírito Santo. Cada categoria não é uma sugestão isolada, mas um ramo da mesma árvore cuja raiz é Cristo, e cujo fruto é a edificação do corpo de Cristo.
• A Igreja perseverante reflete Atos 2,42: “E eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações”. Aqui, a doutrina não é mero intelectualismo, mas fé encarnada; a comunhão, não sociabilidade, mas koinonia, partilha de vida, bens e sofrimento; as orações, não ritual, mas intercessão contínua; a santificação, não perfeição estática, mas processo dinâmico de conformidade com Cristo (Romanos 8,29). Nós somos chamados a persistir, mesmo quando o caminho é estreito.
• Ser consciente e responsável significa falar a palavra de Deus com autoridade e integridade, como Paulo exortou Timóteo: “Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo” (2ª Timóteo 4,2). Cuidar da presença do Espírito Santo é vigiar contra a secularização, a frieza litúrgica e a substituição da unção pela eficiência. A consciência aqui é espiritual, não psicológica: é a sensibilidade à voz do Espírito, que nos guia em toda a verdade (João 16,13).
• A Igreja corajosa não teme o mundo, porque já venceu o mundo (1ª João 5,4). Defender a igreja de Cristo é proteger sua pureza doutrinal, sua unidade e sua missão, não com armas carnais, mas com a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Efésios 6,17). Sofrer e obedecer a Deus é seguir o modelo de Cristo, que “não reteve ser igual a Deus, mas se esvaziou” (Filipenses 2,6-7).
• A dimensão missionária é inegociável. Testemunhar a autêntica palavra de Deus implica fidelidade ao evangelho, sem adaptações culturais que diluam sua força. Sair ao campo missionário é responder ao “ide” de Mateus 28,19, não como opção, mas como vocação. Fazer e cumprir o IDE de Jesus é tornar-se instrumento da restauração do mundo.
• Por fim, a cheia do Espírito Santo é a condição sine qua non. Abalar o mundo com o poder do Espírito não é retórica, mas realidade histórica, desde Pentecostes até os dias atuais. Conservar Sua presença até o fim é a promessa de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28,20).
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