O Maná Diário: Por que a plenitude de ontem nunca basta para hoje? Assim como o sol nasce novo cada dia, a plenitude do Espírito é um dom que se recebe de joelhos, todas as manhãs.
Nós, que caminhamos na luz do Evangelho e buscamos a verdadeira transformação pelo poder do alto, somos chamados a uma realidade espiritual contínua, renovada dia a dia pela graça de Deus. Quando lemos em Efésios 5,18 o mandamento claro, “Não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”, não estamos diante de um verbo no passado, como se fosse uma experiência única e concluída.
Pelo contrário, o grego revela um presente contínuo: plēroûsthe, ou seja, “estai sendo cheios”, num fluxo constante de renovação, como as misericórdias do Senhor que se renovam a cada manhã, conforme declara Lamentações 3,22-23.
A plenitude do Espírito Santo não é um reservatório que enchemos uma vez e dura para sempre. É mais como uma fonte viva, que precisa ser acessada todos os dias. A unção de ontem não sustenta a jornada de hoje. O avivamento da semana passada não substitui a sede atual por mais de Deus. Assim como Israel coletava o maná diariamente, ninguém podia acumular para o dia seguinte, porque o que sobrava apodrecia, assim também a presença do Espírito não pode ser estocada. Ela exige dependência contínua, humildade constante e fome espiritual renovada a cada alvorada.
Quantos de nós vivem na lembrança de um mover antigo, esperando que a glória do passado cubra as secas do presente? Mas o Senhor nos ensina que a vida no Espírito é dinâmica, pulsante, exigente de entrega diária.
Não basta ter sido cheio; é necessário ser cheio, outra vez, e outra vez. O crente maduro entende que a santificação não é instantânea, mas progressiva, alimentada por esse enchimento contínuo que purifica, capacita, unge e envia.
É nesse contexto que a oração se torna respiração. Ao despertar, clamamos: “Espírito Santo, enche-me hoje”. Na luta, suplicamos: “Renova em mim a Tua presença”.
No ministério, reconhecemos: “Sem Ti, nada posso fazer” (João 15,5). E assim, dia após dia, somos moldados à imagem de Cristo, não por força própria, mas por uma infusão divina que se repete como o orvalho sobre a herança do Senhor.
Ser cheio do Espírito é andar em obediência, louvar com liberdade, amar com autenticidade, testemunhar com ousadia e servir com alegria. É produzir fruto, não esforço; é fluir, não forçar.
Por isso, não pare de buscar. Não descanse na graça antiga. Hoje, novamente, abra o vaso da sua alma e diga: “Senhor, enche-me. Aqui e agora. De novo”.
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