Por que o Eterno permite o sofrimento?


Nós, como estudiosos das Sagradas Escrituras e servos do Altíssimo, frequentemente nos deparamos com o clamor angustiante da alma humana diante da dor. Por que o Eterno permite o sofrimento? Esta questão, que toca o cerne da nossa fé e da providência divina, exige de nós uma exegese profunda, aliada à sensibilidade pastoral. 

Ao investigarmos a teologia cristã, notadamente nas obras de apologistas como Lee Strobel, compreendemos que o problema do mal é o maior obstáculo para a crença, mas também o palco onde a graça brilha com mais intensidade.

Primeiramente, nós entendemos que o Criador nos concedeu o livre arbítrio, a verdadeira liberdade de escolha. Grande parte da nossa angústia diária não emana do trono celestial, mas das nossas próprias escolhas egoístas, cruéis e negligentes. 

Sem essa liberdade, seríamos meros autômatos, incapazes de amar verdadeiramente o próximo. Em segundo lugar, nós habitamos em um mundo decaído. A entrada do pecado corrompeu a criação, e os desastres naturais refletem uma terra que geme, aguardando a redenção final.

Contudo, nós também aprendemos na escola do Espírito Santo que a dor possui um propósito pedagógico inegável. O sofrimento atua como um cinzel nas mãos do Oleiro, moldando nosso caráter, forjando resiliência e nos ensinando a empatia. 

Nós vemos o Senhor extraindo propósitos sublimes das nossas maiores perdas, unindo uns aos outros e à Sua presença. A ansiedade que sentimos é transformada em dependência total do Seu cuidado.

Nós, como igreja viva, sabemos que a caminhada cristã não é isenta de vale de sombras. Quando a enfermidade bate à nossa porta ou quando a perda nos arranca o fôlego, nós não lançamos fora a nossa confiança. 

O fogo do Espírito Santo nos consola, lembrando que as aflições de hoje não se comparam com a glória que em nós será revelada. Nós abraçamos a providência divina, cientes de que o Oleiro nunca erra o golpe do cinzel.

Por fim, a nossa resposta suprema não é apenas lógica, mas encarnada. Nós servimos a um Deus que sofre. Na cruz, o próprio Cristo experimentou a agonia, a rejeição e a morte física. Ele não observa nossas lágrimas de longe, mas as compartilha e nos promete um dia em que enxugará toda lágrima dos nossos olhos. 

Nós, portanto, descansamos na soberania divina, sabendo que o luto é temporário, mas a glória que em nós será revelada é eterna. A cruz é a prova definitiva de que o Pai não é indiferente à nossa dor, pois Ele a vestiu em carne humana para vencer a morte de uma vez por todas.

A dor é o idioma pelo qual o Oleiro esculpe em nós a eternidade, pois nenhuma lágrima cai no chão sem que o Pai a recolha para regar a nossa fé.


Por Pr Márcio Batista
Foto: (SholDesigng / Diego Altman) Reprodução / Divulgação

________________
É proibido copiar os artigos deste site. A publicação dos artigos aqui postados em outros sites, blogs, impressos, trabalhos acadêmicos, ou trabalhos científicos devem seguir a regra da ABNT. Copiar deliberadamente na íntegra qualquer conteúdo deste site, implica em crime, previsto no Código Penal. Lei do direito autoral. © Todos os direitos reservados a Márcio Batista de Florianópolis, SC, Brasil.
Márcio Batista

Pr Márcio Batista é Teólogo, Jornalista, Chef em horas vagas, Diretor dos Portais Mais News e Mídia Cristã, Diretor Mais Alegria 95.1 FM, Gestor Mídia Mais de Cristo Global, Florianópolis/SC

Postar um comentário

Ao fazer seu comentário, respeite as opiniões alheias antes de tudo, deixe sua opinião sem ofender o próximo.

Postagem Anterior Próxima Postagem