Durante os anos em que trabalhei com o Ministério de Adolescentes em Santa Catarina, fundando a UAADI em Itajaí e UNIADJO em Joinville e fazendo parte da primeira diretoria da UAADESCP em Santa Catarina, vivi inúmeras experiências que me mostraram que todo adolescente tem um potencial extraordinário.
Muitas vezes, aquilo que parece ser um problema é, na verdade, uma habilidade que não foi bem direcionada. Lembro-me de uma situação marcante.
Uma líder me procurou bastante preocupada. Ela estava desanimada com um dos alunos da turma, a quem chamarei de Bruno. Segundo ela, ele interrompia constantemente as aulas, fazia brincadeiras, chamava a atenção dos colegas e estava se tornando o centro de todas as distrações.
Sua intenção já era tomar medidas mais rígidas, inclusive retirá-lo da sala. Algum tempo depois, fui convidado para ministrar uma aula naquela mesma turma. Quando cheguei, observei atentamente o comportamento do Bruno.
De fato, ele liderava as brincadeiras e os gracejos. Porém, eu percebi algo diferente nele. Eu vi potencial. Então, decidi confiar nele. Chamei-o em particular e disse "Bruno, percebi que você é um líder nesta turma. Gostaria que você me ajudasse. Quero que observe quem está atrapalhando a aula e me auxilie a manter a ordem na sala."
Nunca esquecerei sua reação. Seus olhos se arregalaram. Pela primeira vez, ele estava sendo visto não como um problema, mas como alguém capaz de contribuir. Daquele dia em diante, sua postura mudou completamente.
O jovem que antes liderava a bagunça passou a colaborar com a organização da turma. Sua influência continuou existindo, mas agora direcionada para algo positivo. A sala mudou, o ambiente melhorou e ele próprio amadureceu.
Essa experiência me ensinou que líderes de adolescentes precisam aprender a enxergar além do comportamento imediato. É fácil corrigir um erro, é fácil aplicar uma punição.
O desafio é identificar o talento escondido por trás das atitudes inadequadas. Muitas vezes, o adolescente inquieto pode ser um futuro líder. O questionador pode ser um futuro pensador. O falante pode ser um futuro comunicador.
O que precisamos é transformar crises em oportunidades, problemas em possibilidades. e, principalmente, ajudar a formar homens e mulheres preparados para exercer liderança e propósito ao longo da vida.
Em 2ª Timóteo 1:5-7 lemos: "Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em Loide, a sua avó, e na sua mãe, Eunice, e estou convencido de que também habita em você. Por essa razão, torno a lembrá-lo de que mantenha viva a chama do dom de Deus que você recebeu pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de poder, de amor e de domínio próprio".
Assim como o apóstolo Paulo enxergou Timóteo muito além do que apenas um jovem inexperiente e investiu em sua formação até que ele se tornasse um dos grandes líderes da igreja primitiva, nós também precisamos identificar talentos escondidos em nossos adolescentes.
Paulo viu potencial onde muitos viam apenas juventude. Da mesma forma, líderes cristãos são chamados a enxergar além das limitações momentâneas, descobrindo dons, habilidades e capacidades que Deus colocou em cada pessoa.
Quando investimos tempo, confiança e orientação em alguém, ajudamos essa pessoa a descobrir seu propósito e, assim, se tornar um líder que impacta vidas.
Líderes cristãos são chamados a enxergar além das limitações momentâneas, descobrindo dons, habilidades e capacidades que Deus colocou em cada pessoa.
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