Sim, a graça divina nos alcança, mas nossa fé deve responder.
Nós fomos alcançados pela escolha amorosa de Deus antes mesmo de termos consciência do pecado ou desejo de mudança. Em João 15:16, Cristo afirma claramente: "não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi". Essa verdade central revela o coração da iniciativa divina na salvação.
Não é mérito humano, nem decisão isolada da vontade, mas um ato gracioso de Deus que antecede toda resposta. Ele se inclina em misericórdia, chama do abismo das trevas para a maravilhosa luz de Sua presença e transforma o velho homem em nova criatura em Cristo.
Essa eleição, no entanto, não anula a responsabilidade humana. Nós não somos meros objetos passivos num decreto distante. A escolha de Deus se encontra com a fé, o arrependimento e a entrega diária. É uma aliança viva, dinâmica, onde a graça precede, sustenta e capacita a resposta.
Quando aceitamos esse chamado, não estamos cumprindo um destino inevitável, mas respondendo com gratidão ao perdão oferecido. Como ensina 1ª João 1:9, "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar e purificar". O convite está aberto, a misericórdia é real, e a santificação é um caminho contínuo.
A ideia de predestinação, entendida como salvação automática sem envolvimento ético ou espiritual, não corresponde à totalidade do testemunho bíblico. Nós somos guardados pelo poder de Deus, sim, mas também chamados a trazer frutos dignos de arrependimento, a perseverar na fé, a orar, jejuar e crescer na Palavra.
A segurança eterna não elimina a necessidade de fidelidade diária. Pelo contrário, ela motiva a gratidão, a vigilância e o compromisso.
Assim, a escolha divina não remove nossa parte. Nós fomos escolhidos para andar em boas obras, para amar, servir, testemunhar e permanecer em Cristo. A salvação é dom, mas sua vivência exige resposta constante.
Cada dia é um novo ato de entrega, de renovação da aliança, de busca pelo rosto do Senhor. A graça que nos salvou continua nos moldando, nos conduzindo à maturidade espiritual, à plenitude da estatura de Cristo.
Por isso, não vivemos sob medo de perder a salvação, mas sob o impulso do amor que nos resgatou. E esse amor, experimentado na conversão, deve ecoar em cada decisão, em cada atitude, em cada palavra.
Ser escolhido por Deus é privilégio imenso, mas também missão urgente.

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