Deus não evita a pressão, Ele a usa para extrair do seu sofrimento aquilo que vai alimentar, embriagar e ungir gerações.
Nós, ao mergulharmos nas Escrituras, percebemos que a promessa de Deus raramente se veste com as roupas do imediatismo ou da facilidade.
Em Gênesis 27, vemos Jacó buscando a bênção, não por merecimento próprio, mas por propósito divino. Assim como o trigo, ele foi moído pelo tempo, pela mentira, pelo exílio, pela luta com o anjo.
Mas foi na moagem que sua identidade passou de enganador para Israel, aquele que luta com Deus. O trigo, por si só, não alimenta, mas quando moído, transforma-se em farinha, e desta, surge o pão, alimento essencial. Da mesma forma, nós somos chamados à transformação, não à estagnação.
A uva, símbolo de alegria e celebração, também precisa ser pisada para gerar vinho. Salmo 16, verso 11, afirma que na presença do Senhor há plenitude de alegria, mas essa alegria nem sempre vem sem dor.
O processo de pisar é violento, dolorido, quase esmagador. Quantos de nós já nos sentimos assim, como se cada passo sobre nossos sonhos fosse um peso insuportável?
No Getsêmani, Jesus, o verdadeiro fruto da videira, orou até derramar suor como gotas de sangue. Ele foi pisado, não por fraqueza, mas por amor. E daquela pressão surgiu o vinho novo da nova aliança, capaz de embriagar os corações com graça e misericórdia.
A azeitona, por sua vez, resiste ao frio, cresce em terrenos áridos, e só entrega seu óleo sob prensa intensa. Êxodo 27 mostra que o azeite era necessário para manter a luz do candelabro acessa no santuário.
Hoje, somos marada, e nosso óleo interior é o Espírito Santo, que unge, cura, consola e ilumina. Mesmo sob pressão, continuamos a produzir unção, porque nossa fonte não é o mundo, mas o Alto.
Como Josué, que mesmo diante das muralhas, manteve a autoridade; como Davi, ferido, mas ungido; como Paulo, açoitado, mas cheio de poder, nós não perdemos a integridade quando somos moldados.
Não somos chamados a fugir da pressão, mas a confiar no Mestre Oleiro, no Vinhateiro, no Ceifeiro. A moagem, a pisadura, a prensa, tudo faz parte do propósito.
O que parece destruição é, na verdade, preparação. Porque o que sai de nós, depois do processo, não é apenas sobrevivência, mas provisão: pão para famintos, vinho para quem chora, azeite para quem sangra.
É proibido copiar os artigos deste site. A publicação dos artigos aqui postados em outros sites, blogs, impressos, trabalhos acadêmicos, ou trabalhos científicos devem seguir a regra da ABNT. Copiar deliberadamente na íntegra qualquer conteúdo deste site, implica em crime, previsto no Código Penal. Lei do direito autoral. © Todos os direitos reservados a Márcio Batista de Florianópolis, SC, Brasil.

0 Comentários
Ao fazer seu comentário, respeite as opiniões alheias antes de tudo, deixe sua opinião sem ofender o próximo.