O perdão de Deus é um apagador divino, use-o e siga em frente.
Nós, ao caminharmos na luz do Evangelho, somos chamados a viver não sob o peso do que já foi, mas na força do que Deus está fazendo agora.
O passado tem seu lugar, como testemunho, como lição, como memorial de graça, mas jamais pode tornar-se prisão. Quantos ainda carregam feridas antigas como se fossem correntes atuais? Quantos vivem olhando para trás, como Ló, cuja esposa se transformou em sal por não conseguir deixar para trás o que Deus havia ordenado abandonar? (Gênesis 19:26).
O retrovisor de um carro é pequeno, sim, e o vidro dianteiro é grande, porque o futuro requer mais atenção do que o passado. Assim é a vida cristã: voltada à frente, com os olhos fixos naquilo que está adiante (Filipenses 3:13-14).
A Palavra de Deus não nos convoca a reviver o ontem, mas a renascer no hoje. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2ª Coríntios 5:17). Esta não é uma promessa poética, mas uma realidade espiritual.
O crente verdadeiro não é reformado, é regenerado. Não é ajustado, é ressuscitado. O Espírito Santo não repara a velha natureza; Ele dá uma nova. O pecado confessado é perdoado, e o perdão divino apaga o registro celestial da culpa. Quando Deus esquece (Jeremias 31:34), por que insistimos em lembrar?
Isso não nega o valor da memória. Devemos lembrar das misericórdias, dos livramentos, das alianças cumpridas. Mas há diferença entre lembrar com gratidão e viver com nostalgia. Há diferença entre aprender com o erro e carregar sua vergonha como identidade.
O apóstolo Paulo, antes perseguidor, poderia ter se definido pelo passado. Em vez disso, declarou: “Quanto às coisas que atrás ficam, esquecendo-me delas, avanço para as que estão diante de mim” (Filipenses 3:13). Ele sabia: o chamado de Deus é maior que o nosso histórico.
Viver de passado é estagnar-se onde Deus já moveu. É como tentar alimentar-se com comida guardada há anos. O maná de ontem não sustenta o peregrino de hoje.
Cada manhã, novas misericórdias (Lamentações 3:22-23). Cada dia, nova unção. O Senhor não nos guia por museus, mas por caminhos. Não somos estátuas de sal, mas peregrinos rumo à Canaã espiritual.
Que nós, então, levantemos os olhos. Que paremos de ser escravos de lembranças amargas ou de glórias desbotadas.
Em Cristo, o novo já começou. O Espírito sopra, e onde Ele está, há renovação.
Deixemos o velho para trás. Avancemos na fé, com os pés firmes no presente e o coração voltado ao futuro prometido.
Lembre-se: Quem vive de passado é réplica; quem vive em Cristo é revelação.

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